Amigos, espero que isso seja verdade, pois tenho vontade de reencontrar um anão que convivi no início da minha vida. Bah, esse anão era uma grande pessoa. Por favor, deixem eu explicar melhor. Sou asmático e isso começou lá pelos meus 03 ou 04 anos. Dizem que a asma começa após um trauma emocional. Na verdade, não lembro deste trauma, mas deve ter sido uma das inúmeras vezes que minha mãe atirou uma jarra na cabeça do meu pai, foram muitas – ele mereceu cada uma. Mas continuando a história da minha asma e como conheci um anão que dirigia uma DKW, preciso dizer que esse anão me socorreu muitas vezes quando minhas crises de asma aconteciam.
Morávamos num condomínio popular, eram seis blocos ao todo, bem em frente à Rótula do Papa. No mesmo bloco nosso, tínhamos um vizinho anão, ele morava com os pais, era amigo do meu pai, do futebol, de ir aos jogos do Colorado, de tomar trago no bar do seu Manoel, dentro do condomínio. Voltando à asma, ela me atacava sempre de noite, no mês de junho, julho, agosto ou quando alguma jarra criava asas dentro de casa. Quando isso acontecia, meu pai batia no apartamento do anão pedindo carona para me levar no hospital, porque meu pai não tinha carro nessa época. Conseguem imaginar isso nos dias de hoje, as 2h da manhã o pobre do anão tinha que levantar e me levar no hospital. Isso era na década de 70, por volta de 1975 e 1976, meu colorado dominando o Brasil e eu passeando de DKW para ir ao hospital.
Meu irmão mais velho me lembrou o nome do anão, era o Itamar. O grande Itamar buscava a DKW no estacionamento e me pegava na frente do meu prédio, com um sorrisão, dizia: “vamos lá meu guri”. Digo DKW no feminino, pois a DKW dele era o que hoje chamamos de Station Wagon, na época era camionetinha, que era bege, os bancos de napa e os instrumentos todos niquelados. Tenho na memória o cheiro dos bancos da DKW. Eu ia deitado no colo do meu pai no banco da frente, tentando respirar, pois a asma me judiando, mas cuidando como o anão fazia para dirigir. Aqueles pezinhos tentando alcançar os pedais, aquelas mãozinhas puxando os botões niquelados para ligar os faróis, e o anão sorrindo, as 2h da manhã, como se estivesse indo para uma festa. Que baita cara esse anão. Enquanto isso, meu irmão pulando do banco de trás para a cachorreira. Nessa época, não lembro do meu irmão adoecer, mas ele me acompanhava sempre, ele era assim, meio aventureiro. Uma vez, com apenas 07 anos, ele foi na redenção de bicicleta, sozinho, com um cantil com água e um pão com maionese. Claro, tomou uma coça da nossa mãe quando voltou e contou a aventura, parecia que ele sorria enquanto apanhava, mas isso conto depois.
Voltando ao grande Itamar e sua DKW, eu estava falando que observava ele dirigir e pensava comigo: “Ele deve ser de circo, ainda mais se consegue dirigir uma DKW sem qualquer adaptação. O engraçado disso tudo é que quando chegava ao hospital, minha asma tinha passado, pois, como disse antes, a asma é emocional e sair com o Itamar de DKW, me deixava calmo, tranquilo e a falta de ar passava. Dentro da DKW não havia jarras voando, pelo contrário, havia um grande cara sorrindo, que era fisicamente pequeno, mas gigante na sua bondade.
Queria poder reencontrar o Itamar, agradecer pelas caronas, por ter sido um grande homem. Hoje eu tenho 1,97m, mas me sentiria minúsculo perto do Itamar. Aquele gesto, aquele sorriso o transformavam naqueles enormes pivôs de basquete da NBA.
Nenhum comentário:
Postar um comentário