sexta-feira, 30 de setembro de 2011

O Combo de pipoca do Cinemark

              Muitos de vocês já tiveram algum amigo ou parente que acometido por alguma doença, foi hospitalizado, recebeu atendimento médico, mas mesmo assim veio a falecer. Vocês ficaram sabendo que os parentes do falecido não precisaram pagar o hospital ou o médico, pois o paciente morreu???. Claro que não!!!

                Por que então as pessoas acham que advogado só deve receber os honorários se ganhar o processo. Muitas das vezes as pessoas se colocam em cada enrascada,  mesmo assim desejam que o advogado faça milagre, para se, bem sucedido, receber  os honorários.

                Por que o paciente pode morrer e mesmo assim o médico pode receber pelo serviço prestado??? Geralmente as pessoas acham que advogado não paga condomínio, não vai ao supermercado, não tem filho, enfim.

                Geralmente, na área nominada, de família, os problemas advindos pelo fim do casamento, originam inúmeras ações, que podem ser separação cautelar de corpos, separação litigiosa,  alimentos aos filhos, partilha de bens, guarda dos filhos, regulamentação de visitas e assim por diante. Essas ações podem vir todas juntas ou aos poucos.

                Não raras vezes o advogado é contratado para ingressar na demanda judicial quando já em andamento. Por exemplo, já houve definição sobre  a separação judicial, a regulamentação das visitas,  a guarda e a pensão alimentícia. Tempo depois a ex-mulher ingressa com revisão de alimentos para majorar o valor, então um advogado ingressa para tentar fazer um acordo e consegue. Acordo feito, cobra seus honorários, recebe e seu trabalho está  concluído. Mesmo assim, seu cliente segue ligando, pedindo para resolver problemas relacionados à visitação e nem pergunta quanto sairá esse novo trabalho, pois acha que aquele valor pago pelo acordo na ação de alimentos cobre o trabalho. Ora, o advogado nem cobrou por isso. Seria como uma pessoa pagar por uma cirurgia no tornozelo, e 20 dias depois machucar o joelho e querer que o médico opere o joelho sem pagar nada, ou seja, pelo valor já pago pela cirurgia do tornozelo.  Alguém já viu isso ocorrer????

                As pessoas acham que advogado é igual ao Combo de pipoca que se compra no Cinemark, aquele pacote grande, paga uma vez e pode encher de pipoca, quantas vezes quiser, pelo mesmo preço.


sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O Anão e a DKW

             Muitos devem conhecer aquela brincadeira politicamente incorreta, a respeito da imortalidade do  Anão. O motivo dessa brincadeira está no fato de que ninguém foi a um enterro de anão ou conhece alguém que tenha ido.

Amigos,  espero que isso seja verdade, pois tenho vontade de reencontrar um anão que convivi no início da minha vida. Bah, esse anão era uma grande pessoa. Por favor, deixem eu explicar melhor.  Sou asmático e isso começou lá pelos meus 03 ou 04 anos. Dizem que a asma começa após um trauma emocional. Na verdade, não lembro deste trauma, mas deve ter sido uma das inúmeras vezes que minha mãe atirou uma jarra na cabeça do meu pai, foram muitas – ele mereceu cada uma. Mas continuando a história da minha asma e como conheci um anão que dirigia uma DKW, preciso dizer que esse anão me socorreu muitas vezes quando minhas crises de asma aconteciam.

Morávamos num condomínio popular, eram seis blocos ao todo, bem em frente à Rótula do Papa. No mesmo bloco nosso, tínhamos um vizinho anão, ele morava com os pais, era amigo do meu pai, do futebol, de ir aos jogos do Colorado, de tomar trago no bar do seu Manoel, dentro do condomínio. Voltando à asma, ela me atacava sempre de noite, no mês de junho, julho, agosto ou quando alguma jarra criava asas dentro de casa. Quando isso acontecia, meu pai batia no apartamento do anão pedindo carona para me levar no hospital, porque meu pai não tinha carro nessa época.  Conseguem imaginar isso nos dias de hoje, as 2h da manhã o pobre do anão tinha que levantar e me levar no hospital. Isso era na década de 70, por volta de 1975 e 1976, meu colorado dominando o Brasil e eu passeando de DKW para ir ao hospital.

Meu irmão mais velho me lembrou o nome do anão, era o Itamar. O grande Itamar buscava a DKW no estacionamento e me pegava na frente do meu prédio, com um sorrisão, dizia: “vamos lá meu guri”. Digo DKW no feminino, pois a DKW dele era o  que hoje chamamos de Station Wagon, na época era camionetinha, que era bege, os bancos de napa e os instrumentos todos niquelados. Tenho na memória o cheiro dos bancos da DKW. Eu ia deitado no colo do meu pai no banco da frente, tentando respirar, pois a asma me judiando, mas cuidando como o anão fazia para dirigir. Aqueles pezinhos tentando alcançar os pedais, aquelas mãozinhas puxando os botões niquelados para ligar os faróis, e o anão sorrindo, as 2h da manhã,  como se estivesse indo para uma festa. Que baita cara esse  anão. Enquanto isso, meu irmão pulando do banco de trás para a cachorreira. Nessa época, não lembro do meu irmão adoecer, mas ele me acompanhava sempre, ele era assim, meio aventureiro. Uma vez, com apenas 07 anos,  ele foi na redenção de bicicleta, sozinho, com um cantil com água e um pão com maionese. Claro, tomou uma coça da nossa mãe quando voltou e contou a aventura, parecia que ele sorria enquanto apanhava, mas isso conto depois.

Voltando ao grande Itamar e sua DKW, eu estava falando que observava ele dirigir e pensava comigo:  “Ele deve ser de circo, ainda mais se consegue dirigir uma DKW sem qualquer adaptação. O engraçado disso tudo é que quando chegava ao hospital, minha asma tinha passado, pois, como disse antes, a asma é emocional e sair com o Itamar de DKW, me deixava calmo, tranquilo e a falta de ar passava. Dentro da DKW não havia jarras voando, pelo contrário, havia um grande cara sorrindo, que era fisicamente pequeno, mas gigante na sua bondade.

Queria poder reencontrar o Itamar, agradecer pelas caronas, por ter sido um grande homem. Hoje eu tenho 1,97m, mas me sentiria minúsculo perto do Itamar. Aquele gesto, aquele sorriso o transformavam naqueles enormes pivôs de basquete da NBA.

Bial, e a Terapia?


                Bial, e a terapia?

                            Muitos conhecem o texto, filtro solar, que ficou famoso na voz de Pedro Bial, em que ele dava muitos conselhos, mas apenas tinha certeza de um,  o uso do filtro solar.
                            Dar conselhos é complicado, nunca te ouvem. Acho que te ouvem apenas quando te pedem, mesmo assim, quando pedem, a resistência em aceitar  é grande.
                            De qualquer forma, não sei se é um conselho, mas quase tenho a mesma certeza do Bial quando digo que todos deveriam  fazer terapia, aquela que chamam de psicoterapia.
                            Na maternidade, quando do nascimento, juntamente com teste do pezinho, deveríamos receber a indicação do psicólogo ou psiquiatra que nos acompanharia a partir de então. É claro, estou exagerando, até porque nossas pancadices aparecem com certa idade. Umas loucuras são mais patentes e essas mais fáceis de tratar, pois são aquelas mais clássicas e que não se  pode negar. Ruim mesmo, são nossos traumas de infância, porque nos levam a fazer coisas que nem sabemos o motivo de agirmos de certa maneira.

                            Todos os dias ouvimos muitas histórias, algumas  bem assustadoras, outras mais simples, como a separação dos pais, ou daquela pessoa que nunca conheceu o pai; enfim, os exemplos são muitos, mas todas histórias tem o mesmo efeito.
                            Por que será que um homem casa cinco vezes??!!!.
                            Bueno, esses traumas acontecem, mas a vida segue, pois  precisa prosseguir, não temos outra opção, a vida não está te perguntando ou te dando alternativa de escolha. Nesse prosseguir esquecemos de procurar um psicólogo. Então é erro atrás de erro. Sabem o que é pior, o passado deixa a gente viver e viver,  fazendo “merda”. A gente cria certos mecanismos para fugir da realidade, criamos “nosso mundo” e o Passado deixando a gente no “nosso mundo”. 
                            Meus amigos, um dia vem o pior, o Passado bate à porta e te entrega a fatura. Eu tenho  um tio que brincava comigo e dizia que o Passado fazia o seguinte: “toc, toc, oi, sou eu, o Passado. Te dei um tempo, agora temos que conversar”. Era hilário o jeito que ele falava. Vocês deviam conhecer esse meu tio – um dia falo dele melhor. 
                            É isso, a gente sofre os traumas, mas precisa seguir em frente e  faz um monte de coisa errada, atrapalha-se na vida, magoa muita gente e quando está no subsolo do poço – acreditem, tem subsolo -, com a corda no pescoço, resolve procurar psicólogo ou psiquiatra para então começar uma terapia. Puxa vida, porque não se faz isso antes, por qual motivo não vamos procurar ajuda lá atrás? Seria tão mais fácil.
                            Parafraseando, em parte, Pedro Bial, eu diria: De uma coisa tenho certeza, façam terapia o mais cedo possível!!!